Implementação

Plano de ação aprovado, é hora de todos trabalharem para que as atividades nele incluídas sejam colocadas em prática nos prazos determinados. A matriz do plano, que ganhou a cara da rede, torna-se, a partir desse momento, um instrumento de acompanhamento.

Um ponto-chave da implementação é o entendimento de que nenhuma estratégia de ensino remoto funciona sozinha para atender a todos os alunos; é preciso oferecer uma diversidade de estratégias de forma a abranger alunos com alta, baixa ou nenhuma conectividade. Para esses últimos, uma solução é a distribuição de material impresso (leia casos inspiradores). Nesse caso, é necessário pensar em uma infraestrutura analógica que inclui a curadoria dos materiais a serem impressos e a logística de entrega. Possíveis alternativas: retirada pela família na escola, juntamente com kit merenda, ou em pontos estratégicos da cidade; e entrega por meio de transporte escolar.

No caso de a Secretaria de Educação optar pelo atendimento dos alunos de forma on-line, é necessário escolher as ferramentas tecnológicas mais adequadas, de acordo com o cenário em que os estudantes vivem. As redes que dispõem de técnicos na área de tecnologia da informação podem pedir apoio a esses profissionais nessa ação.

As soluções variam de acordo com a plataforma escolhida para disponibilizar os conteúdos. Entre as ferramentas, o site ou o blog da secretaria, ou ainda o Google Classroom, como exemplos. Juntamente com os materiais produzidos pelos próprios professores da rede, a secretaria pode disponibilizar o site do Simplifica. Ali estão trilhas pedagógicas criadas por educadores, com conteúdos distribuídos em oito semanas, para turmas dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. É possível usar as trilhas na íntegra ou fazer a curadoria para que sejam disponibilizadas à comunidade aquelas que se relacionem mais diretamente com o currículo em vigor. Outra opção é enviar aos alunos com baixa conectividade o conteúdo curado em formato PDF, pelo aplicativo WhatsApp.

Se a solução for a transmissão por TV, é preciso, entre outros pontos, negociar a veiculação por algum canal aberto. O Vamos aprender oferece uma série de vídeos para apoiar a rede que necessitam apenas de curadoria e da criação de uma grade de programação mais significativa para seu público. Outro recurso que pode ser utilizado são videoaulas, como as disponíveis no YouTube Edu, para os anos finais do Ensino Fundamental e para o Médio.

O AprendiZap é outra estratégia à disposição, para alunos do 6º ao 9º ano, com conteúdos e exercícios enviados por WhatsApp. Existem ainda recursos específicos para a fase de alfabetização, como o Luz do Saber. Esse site contém atividades e jogos que visam ao desenvolvimento de estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos processos de oralidade, leitura e escrita. 

A rede pode ainda se valer do Aprendendo Sempre, uma plataforma de curadoria de conteúdos e soluções gratuitas que facilita o trabalho docente. Estão ali incluídas ferramentas, orientações e atividades formativas. Vale lembrar que iniciativas dos próprios professores, que estejam, por exemplo, apresentadas em canais do YouTube, podem ser agregadas aos materiais a ser disponibilizados aos estudantes. É sempre bom incentivar e valorizar a autoria dos educadores.

Paralelo a isso, todo o trabalho relativo à comunicação com a comunidade escolar sobre o projeto deve estar ocorrendo. Diretores, professores e familiares precisam ser informados sobre os conteúdos que vão chegar aos estudantes e a forma como isso vai ocorrer. Essas mensagens podem ser enviadas por e-mail ou por redes sociais, como o WhatsApp e o Facebook.

Medida bastante efetiva para o engajamento de todos os envolvidos é a produção de um vídeo pelo próprio secretário de Educação apresentando o projeto e solicitando o engajamento da comunidade. Durante toda a realização do trabalho, os líderes não podem se esquecer da importância de documentar os passos do projeto e registrar aprendizados, pontos críticos, intervenções realizadas e boas práticas.

Outra frente essencial para o sucesso do ensino remoto de emergência é a formação dos professores e dos familiares e alunos, que também precisam aprender como vai ser o estudo em casa. Esse é o tema da próxima etapa, descrita a seguir.