Materiais impressos em aulas a distância

A distribuição de material impresso é uma das alternativas da Secretaria de Educação para fazer com que os conteúdos cheguem aos alunos. Essa ação é indicada, por exemplo, quando o diagnóstico mostra que a estrutura tecnológica da rede não comporta o ensino remoto on-line, ou quando a maior parte dos alunos não tem à disposição um dispositivo eletrônico, como computador, smartphone ou tablet, e acesso à internet. Ao optar pelo conteúdo impresso, durante o desenho do plano de ação, a rede pode atingir a todos os estudantes.

O trabalho começa com a curadoria dos conteúdos a serem abordados, que é de responsabilidade da equipe pedagógica. É necessário, paralelo a isso, cuidar da infraestrutura analógica, o que ocorre durante a implementação do programa. Nessa fase está incluída a impressão do material. Essa ação demanda cálculos referentes ao tempo e aos custos de produção. Os valores dependem da quantidade de apostilas a serem produzidas, considerando o tipo de papel a ser usado. 

O passo seguinte é a distribuição. As formas variam de acordo com o contexto local. É possível incluir o material no kit de merenda retirado em cada escola pelas famílias, realizar parcerias com serviços de entrega em regiões metropolitanas, convocar a equipe de transporte escolar, já acostumada a transportar as crianças entre a escola e a sua casa, e até mesmo mobilizar a comunidade escolar para que coopere nessa tarefa.


Vale destacar que é necessário adotar os procedimentos e as recomendações de combate ao coronavírus, como usar luvas e máscara ao montar os kits, colocar os materiais em sacos plásticos esterilizados e passar álcool gel 70% nessas embalagens antes de enviá-las. 

Com o objetivo de engajar as famílias no ensino remoto, é importante elaborar um material anexo ao caderno do estudante com orientações sobre o acompanhamento na organização da rotina de estudos. Mensagens em veículos de comunicação, como televisão e rádio – além de carros de som –, e postagens nas redes sociais institucionais das escolas e da Secretaria podem auxiliar no engajamento dos responsáveis.

Para apoiar os professores nesse trabalho, cabe à rede oferecer material de apoio, como tutoriais, e preparar ações específicas, visando à formação da equipe para atuar com eficiência dentro da estratégia de ensino remoto escolhida. Por fim, para assegurar que o material esteja efetivamente chegando aos alunos, a rede precisa fazer o monitoramento constante das ações planejadas.

Como fazer? 

A seguir, um caminho com ações para as equipes administrativa e pedagógica da Secretaria de Educação:

  • Mobilizar um grupo de professores para a seleção ou a criação dos conteúdos que vão compor o material impresso. Os planos de aula devem conter temas, objetivos e expectativas de aprendizagem que estejam de acordo com o currículo da rede. É necessário atender a todas as áreas de conhecimento e etapas de ensino, incluindo Educação de Jovens e Adultos (EJA), e contemplar alunos com deficiência.
  • Prever a possibilidade de disponibilizar também o livro didático aos alunos. Nesse caso, o material impresso pode ser a elaboração de orientações para guiar os alunos na trilha de atividades propostas no livro.
  • Cuidar da impressão do material e da sua distribuição pelos diferentes canais.
  • Determinar a periodicidade da distribuição para que a quantidade de conteúdos educacionais incluídos em cada apostila seja adequada. 
  • Avaliar a possibilidade de recolher as atividades realizadas no ato da distribuição dos novos materiais impressos, sempre seguindo as orientações de segurança com relação ao novo coronavírus.
  • Disponibilizar o material para todos os estudantes ao mesmo tempo, a fim de evitar defasagem no processo de ensino e aprendizagem. 

A experiência de Itacaré

O município de Itacaré (BA) optou pela distribuição de material impresso aos alunos. O planejamento da ação foi desenvolvido pela Secretaria de Educação com o apoio do programa Simplifica em Rede. A diretora pedagógica Jamille Silva conta como foram as primeiras providências tomadas. “Montamos um material com conteúdos a serem trabalhados nas duas semanas seguintes, como interpretação de texto e operações matemáticas.” Depois disso, a cada duas semanas, um novo material é entregue, com a colaboração da comunidade escolar. 

“Criamos uma rede de cooperação que abrange a todos. Os professores entregam os materiais aos alunos que moram próximo de sua casa. Os estudantes que não conseguem ser atendidos dessa forma retiram os seus em algum ponto de fácil acesso, como mercadinhos e padarias, tudo higienizado e seguindo uma série de recomendações de segurança”, explica Jamille. 

Normativas e recomendações

Ao optar pela estratégia de ensino remoto, a Secretaria deve tomar as seguintes providências:

  1. Se o período de educação remota for computado como dias letivos, apresentar proposta nesse sentido ao Conselho de Educação pertinente, de acordo com o previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
  2. Elaborar e publicar portaria ou resolução da Secretaria de Educação, a ser divulgada por todos os meios oficiais e de comunicação institucional possíveis, que contemple todas as informações sobre a estratégia, com o objetivo de garantir maior transparência e o engajamento da sociedade e da comunidade escolar.
  3. Atentar para normas de publicação de materiais de terceiros a fim de não violar a lei de direitos autorais. Verificar qual é o tipo de autorização demandado pela obra que o professor quer utilizar, de acordo com o previsto no art. 48 da Lei de Direitos Autorais nº 9.610/98.
  4. Elaborar um plano de adaptação para o período de volta às aulas, a fim de mitigar ou eliminar defasagem e desigualdade educacional entre os alunos.