Tecnologia com baixa conectividade

As formas de ensinar estão sendo repensadas em todo o mundo devido ao distanciamento social causado pelo novo coronavírus. Tecnologias que dependem de baixa conectividade são alternativas para levar o ensino remoto a mais pessoas neste contexto. Em ambientes on-line que não dependem de banda larga, conteúdos podem ser compartilhados em diferentes formatos: PDF, áudio, quiz, formulário e vídeo.

Para saber se sua rede precisa de soluções de baixa conectividade, é preciso realizar o diagnóstico da estrutura tecnológica da Secretaria de Educação e do contexto dos estudantes, verificando os dispositivos que eles têm à disposição.  Feito isso, o primeiro passo dessa estratégia é identificar conteúdos digitais que não consumam banda para serem baixados. A Secretaria pode avaliar a possibilidade de um acordo de cooperação com empresas de tecnologia locais para cessão gratuita de internet (leia mais em Dados patrocinados para ensino remoto).

A tecnologia com baixa conectividade mais usada no Brasil é o WhatsApp. Em muitos dos planos de telefonia móvel, o WhatsApp não consome o pacote-padrão de dados. O uso desse aplicativo para a comunicação entre professores e alunos e o envio de atividades, portanto, pode ser a primeira opção, desde que grande parte dos estudantes ou das famílias tenha acesso a um smartphone.

O WhatsApp garante a diversificação de formatos de materiais a serem disponibilizados. Com ele, a turma pode estudar a qualquer momento e evoluir na aprendizagem em seu próprio ritmo. O aplicativo possibilita resolver dúvidas com o professor e armazenar o conteúdo para consultas posteriores, apesar de não oferecer uma boa organização para isso. 

A rede precisa de equipe técnica qualificada para apoiar os professores na produção dos conteúdos a serem disponibilizados via WhatsApp. Uma alternativa é a criação de PDFs de materiais impressos que já tenham passado por curadoria.   

O Simplifica em Rede também tem uma proposta de tecnologia com baixa conectividade. É o Trilha PDF, que permite encaminhar os conteúdos educacionais e acessá-los via WhatsApp.  


Kits de aprendizagem adaptáveis a diferentes contextos do Simplifica em Rede.

Outra ferramenta é o AprendiZap, que prevê o envio de conteúdos e exercícios gratuitos via aplicativo a alunos do 6º ao 9º ano que queiram estudar durante o período de quarentena. Há também materiais para estudantes do Ensino Médio que desejam se preparar para o Enem.


Materiais pedagógicos gratuitos pelo WhatsApp.

Como fazer?

A seguir, um caminho com ações para as equipes administrativa e pedagógica da Secretaria de Educação:

  • Montar uma equipe para realizar a gestão, a divulgação e o acompanhamento das ações junto às escolas e às famílias.
  • Promover a formação dos professores para trabalhar com os conteúdos compartilhados, tirar dúvidas e engajar os estudantes. 
  • Elaborar planos de aula com base nos conteúdos compartilhados que estejam de acordo com o currículo em vigor na rede. 
  • Criar e divulgar uma agenda com os dias e os horários em que os materiais serão encaminhados aos estudantes das diferentes etapas de ensino, com os temas das aulas. 
  • Prever os horários em que os professores estarão disponíveis pelo WhatsApp para solucionar dúvidas dos alunos.
  • Elaborar estratégias de monitoramento (através de formulários, por exemplo) para que seja possível fazer o controle dos estudantes que estão sendo beneficiados por essa solução. 

Normativas e recomendações

Ao optar por essa estratégia de ensino remoto, a Secretaria deve tomar as seguintes providências:

  1. Se o período de educação remota for computado como dias letivos, apresentar proposta nesse sentido ao Conselho de Educação pertinente, conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
  2. Elaborar e publicar portaria ou resolução da Secretaria de Educação, a ser divulgada por todos os meios oficiais e de comunicação institucional possíveis, que contemple todas as informações sobre a estratégia, com o objetivo de garantir maior transparência e engajamento da sociedade e da comunidade escolar.
  3. Em todas as relações de parceria e contratação de serviços para oferta de aprendizagem, verificar a necessidade de cadastro e armazenamento dos dados pessoais de professores, estudantes e pais ou responsáveis, e exigir que esses dados sejam mantidos em sigilo e que seu uso esteja limitado à finalidade educacional,  a fim de evitar que se viole a privacidade dele.
  1. Se os professores criarem conteúdos e recursos educacionais virtuais para serem disponibilizados aos estudantes, sugerir que o material seja licenciado, de modo a garantir o livre compartilhamento e sua adaptação.
  2. Atentar para normas de publicação de materiais de terceiros para não violar a lei de direitos autorais. Verificar o tipo de autorização demandado pela obra a ser utilizada, conforme previsto no art. 48 da Lei de Direitos Autorais nº 9.610/98.
  3. Elaborar um plano de adaptação para o período de volta às aulas, a fim de mitigar ou eliminar defasagem e desigualdade educacional entre os alunos.